
Péricles Rocha
Beeldend kunstenaar, Artista plastico
Péricles Rocha
'Guaracy o Sol',
2008
Arcrilico sobre tela
Dim. 65 x 65 cm.
Vendidos
Péricles Rocha, Múltiplo e Único
Estava terminando um ensaio sobre "a multiplicidade de Lêdo Ivo", depois de ter lido
extensamente a sua obra, quando fui convidado para ir ver a nova coleção de quadros
de Péricles Rocha. Li o poeta-
Péricles Rocha oferece um espetáculo cromático estranho, mítico, fortemente individualista,
mas em que observo uma miscelânea de traços, um caleidoscópio de qualidades. Procurarei
enumerá-
Pessoalmente, vejo, na pintura de Péricles Rocha, uma extemporânea manifestação do romantismo fantástico de Poe, de Hoffman. Mais perto de Alvares de Azevedo do que de Gonsalves Dias. Sempre achei uma injustiça, um absurdo, que tanto se fale "na pobreza do Nordeste", "na ignorância dos nossos sertões", e não se fale na riqueza, na imensa riqueza da nossa cultura popular. Cultura popular que inspirou tantos artistas requintados, superiores! Sempre me deslumbrei diante dessa opulência realmente deslumbrante.
Péricles Rocha, com seus quadros, de maneira poderosa, impressionante, nos dá noticia dessa riqueza fantástica.
Cassiano Nunes
O olhar de um artista plástico é diferenciado, ele consegue ver beleza onde menos
se espera. O maranhense Péricles Rocha é exemplo nato, que dispensa apresentações,
que viu nas queimadas ocorridas no município de Benedito Leite (MA) inspiração para
compor sua nova exposição “Semi-
Com traços inconfundíveis e marcantes, Péricles Rocha traz nessa sua nova incursão nas artes plásticas a beleza que há por trás das queimadas, algo que vem acontecendo bastante em Benedito Leite, “cidade onde nasceu aos dois anos de idade”, como ele mesmo diz, já que é natural de Codó (MA). É lá que o artista plástico se refugia para compor as suas telas.
“Em Benedito Leite sou acariciado pelas pessoas. Foi lá que me contavam sobre as histórias de cordel e cultura nordestina e que estão presentes no meu trabalho. Nessa exposição enfoquei as queimadas que estão ocorrendo com freqüência e consegui ver a beleza que se esconde nisso”, explica Péricles Rocha.
Depois de oito meses de “reclusão”, o maranhense preparou 20 telas de tamanhos variados, técnica acrílico sobre lona, retratando o ambiente durante e após o fogo. Os tons escuros, como o preto e o cinza, estão presentes nas obras, mas o predomínio é do vermelho. As cores foram adquiridas em técnicas simples de tingimento e cores alternativas aprendidas com pescadores de Alcântara, outro município onde Péricles compõe suas obras de arte.
“Uso muitos pigmentos naturais, como o óxido de ferro, a casca do cajueiro, o mucunã (cipó de tinta vermelha), entre outros. São tintas naturais que dão um toque especial à tela. Sempre as utilizo”, revela o artista, que se dedica há 40 anos ao registro da beleza do Maranhão em suas obras de arte. Neste novo trabalho, Rocha está mais intenso e surpreendente, revelando o sertão maranhense, local definido por ele como “a verdadeira origem do homem maranhense”.
O olhar do artista é tão especial que Péricles Rocha conseguiu ver beleza no renascer da natureza após a queimada. “Em uma tela eu mostro o renascimento da natureza, a presença das flores em meio ao chão preto, consumido pelo fogo”, diz.
Transitando entre o abstrato e o figurativo, sempre imprimindo a sua marca e preservando
seus traços, o maranhense vê em “Semi-
A mostra foi concebida logo após a exposição comemorativa de seus 60 anos de idade, “Um Beijo em São Luís”, que aconteceu em novembro do ano passado. “Não deu tempo de descansar, fui logo fazendo outra exposição, quis aproveitar a inspiração”, revela. Para ele, a tela é como um filho: É uma concepção. A gente namora, curte a cria, acaricia com os olhos, chegamos a ‘lamber’ a cria”, define.
Péricles Rocha é um dos grandes nomes das artes plásticas não só do Maranhão, mas do Brasil. Seu nome figura entre os maiores artistas da atualidade e possui trabalhos expostos em várias galerias ao redor do mundo.